quinta-feira, 7 de maio de 2015

A falida geração que no Direito só decora fórmulas


A falida geração que no Direito só decora fórmulas

Uma gerao que no Direito s decora frmulas
Publicado por Wagner Francesco - 1 dia atrás
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Waldir Troncoso, um dos melhores advogados criminalistas da história brasileira, diz numa entrevista:
Nos meus tempos de estudante, nosso divertimento era sentar num bar e fazer concurso para ver quem sabia mais poesia de cor. […] Quem não lesse no meu tempo, quem ficasse só estudando Direito, era ignorante. E a mocidade de hoje, em termos de leitura me parece que esqueceu um pouco de que esse é um dever do advogado.
Sempre tive “problemas” com quem “só estuda pra concurso” ou “só estuda pra tirar nota boa”. É lógico que eu não estou dizendo que quem estuda pra concurso não é intelectual e nem sabe das coisas. Longe de mim pensar isto, afinal de contas conhecemos inúmeros concursados inteligentes… O problema é que é inegável que a preparação para os concursos - e para as maratonas de provas nas universidades - realmente limita demais a capacidade criativa e erudita do sujeito. 8, 9 horas sentado decorando artigos, parágrafos e incisos. Além disto, respondendo questões de provas passadas e vídeo-aulas.
O que sobra? Nada. Pois se pensar fora da linha é reprovado na prova do concurso que funciona na base da robotização.
Em artigo recentemente publicado aqui no JusBrasil sob o título Estamos formando profissionais de Direito Capacitados?, uma curiosa questão foi posta:
Conversei com três professores de outras faculdades de Direito […] Responderam-me que têm constatado o mesmo, muito embora enfatizassem mais os erros de português e dificuldades de expor as ideias em uma sequência lógica de raciocínio.
Sou um crítico ferrenho do modelo de educação jurídica: provas chatas com pegadinhas, uma limitação gritante de oportunidade para debater as questões - sem contar que há uma limitação gritante de alguns alunos em debater as questões quando a oportunidade é dada - e principalmente a doença terminal para se preparar para a prova da OAB. Sim, é fato: o curso de Direito virou cursinho para a aprovação na prova da Ordem dos Advogados. Somos a geração do V ou F ou da múltipla escolha (A, B, C ou D? Coloque no gabarito!)
Há muita limitação. Há uma perda enorme do encanto. Muita gente sabendo muito da letra morta da lei e pouco, muito pouco, do espírito que atua na vida, para além da letra. Fico triste quando ouço colegas meus falarem que não gostam de filosofia, nem de sociologia, nem de política. Mais triste ainda quando ouço que não gostam de ler textos grandes e complicados. E que não acham graça em poesia. A galera do Direito Esquematizado ou Mastigado. Resultado? Uma geração de estudantes que está se preparando para o mundo tedioso da burocracia do serviço público.
Um conselho: caia fora. Permita-se andar fora da linha, nas beiradas dos abismos. Nem só de decorar as fórmulas e resolver provas de concursos anteriores vive o homem. Pare e reflita no que ensina o nosso grande amigo Schopenhauer no livro "A arte de escrever"
A maioria dos livros é escrita somente para vender e, por isso, é importante assim como escolher o que ler, escolher o que não ler, pois a vida é curta e tempo e energia são limitados.
Há mais coisas úteis ao Direito fora dos livros de Direito. Permita-se conhecer!

Por

teólogo e acadêmico de Direito.

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