domingo, 16 de março de 2014

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - NOVA DEFINIÇÃO JURÍDICA, ECONÔMICA E POLÍTICA

           "É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não ouve. "

                                                     Vitor Hugo

O relatório da ONU de Brundland, (1987)  define“desenvolvimento sustentável como: Desenvolvimento  que atende as necessidades das  gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações."

Segundo Leonardo Boff:" Esse conceito é correto, mas possui duas limitações: é antropocêntrico (só considera o ser humano) e nada diz sobre a comunidade de vida, outros seres vivos que também precisam da biosfera e de sustentabilidade." (2012,leonardoboff.com)

   Para ele sustentabilidade é toda ação destinada a manutenção da vida especialmente em relação ao planeta Terra, a comunidade, vida humana e os recursos naturais, de forma que as necessidades das gerações presentes e  futuras sejam preservadas, bem como a  capacidade de regeneração ambiental, uma visão holística voltada para o todo.
   Sustentabilidade que mantém  todos proporcionando o surgimento de novos seres numa conjectura de energias, elementos físicos e químicos e informações que dão origem a tudo, num sentido global e social, que se desvincula do antropocentrismo há um  valor intrínseco na evolução que independe do uso humano.
    Todavia a terra é mais que uma coisa, ela é a vida que se regula, se regenera e evolui e proporcionando vida ao homem, entretanto se não houver garantia de que ela se manterá viva, como poderá o homem então viver?
       É da Terra que se extrai todo sustento, mesmo que  interdependente  a coexistência da rede de vida, que inclui  microrganismos na rede de biomas,  onde todos os seres possuem o mesmo código genético básico e a biodiversidade é essencial para a subsistência da vida no planeta.
     O homem, então se torna um dos elos de vida do planeta, único portador da consciência, inteligência e sensibilidade, e que há tempos vem sendo  chamado para cuidar daquela lhe sustenta para, garantir a continuidade da civilização, imputando responsabilidade a cada indivíduo para controlar e sublimar sua capacidade destrutiva.
Essa responsabilidade parte do pressuposto da obrigação que o homem assume no pacto do contrato social, de forma que o processo evolutivo, deve se manter em continua expansão, da mesma forma que se autocria com o uso racional das coisas, com o cuidado com os bens e serviços,  dispostos pela Terra e pelo universo, sem os quais o homem não existiria.
 Portanto a garantia das gerações futuras depende da equidade na distribuição de bens e serviços regidos pela solidariedade gerencial, que visa preservar a natureza de forma equilibrada, possibilitando o contínuo crescimento econômico de maneira equilibrada, para que as gerações futuras herdem uma terra com a  natureza preservada.
 À possibilidade de observação e preocupação com a sustentabilidade, amplia o  conceito  integrador do homem com a natureza, servindo de critério de avaliação do quanto se tem  progredido  rumo à preservação e renovação dos bens naturais, por  meio de inspiração e ideia geradora de realização da sustentabilidade nos vários campos das atividades humanas.
Se o desenvolvimento tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida do indivíduo, com o acesso à educação, participação política como forma vivencial da democracia social e participativa, garantindo os direitos humanos para si e para os outros.
A sustentabilidade visa uma convivência harmoniosa do homem com a natureza, por meio de consensos diante da crise, de forma que seja equacionado o crescimento indiscriminado da economia, posto que o desenvolvimento desordenado tecnológico é visualmente insustentável em termos ecológicos e injusto em termos sociais segundo Groenwald (2000, p.37).
Para se viver de forma sustentável é necessário que haja um diálogo do homem com a natureza, onde o modo de vida exigirá mudanças de atitudes qualitativas e quantitativas no estilo de vida que devem se realizar no modo de agir, produzir e consumir do homem, pois há uma interdependência entre as necessidades humanas e exigências ambientais.
Esse novo estilo de vida sustentável que já é realidade na Europa, e que vem sendo introduzido no Brasil, nas atividades de algumas empresas, mas que precisa expandir-se para toda a sociedade, a fim de alcançar um futuro justo, solidário e equitativo com a materialização de um ambiente renovável e sustentável  no presente.
Portanto responsabilizar-se pelo cuidado com todos os seres vivos do planeta agora é ter a quase certeza de que a garantia do  futuro sustentável depende de atitudes fundamentadas no princípio ético.
A busca por soluções dos conflitos relacionados ao meio ambiente, deve ser uma prioridade tanto no âmbito governamental, quanto no âmbito social, até porque os órgãos de financiamento internacionais estão de olho nas intenções dos órgãos e empresas para com o meio ambiente, visto que são requisitos jurídicos fiscais e econômicos, avaliados acima de qualquer coisa a atenção que se dá ao meio ambiente, elemento de suma importância nas relações comerciais atuais como critério básico para concessão de financiamento.
   Mas, será que os empreendedores, governos e população estão preparados para  desenvolver novos modelos de crescimento, que unam desenvolvimento econômico e planejamento ambiental, para que, a natureza apenas seja atingida de forma equilibrada, permitindo a terra sua renovação?


Por Leila da Silva Ribeiro Uzum

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